Oração e jejum
Nesta passagem, Jesus ensina como orar com sinceridade, evitando a hipocrisia, e oferece o modelo da oração do "Pai Nosso", que expressa confiança em Deus, pede pelo sustento diário, perdão dos pecados e proteção contra o mal. Ele também destaca a importância de perdoar os outros para receber o perdão divino.
Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém
Mt 6,9-13
O que acontece
Nesta passagem, Jesus ensina como orar com sinceridade, evitando a hipocrisia, e oferece o modelo da oração do "Pai Nosso", que expressa confiança em Deus, pede pelo sustento diário, perdão dos pecados e proteção contra o mal. Ele também destaca a importância de perdoar os outros para receber o perdão divino.
A perícope de Mateus 6:5-15, inserida no contexto do Sermão da Montanha (capítulos 5 a 7), apresenta ensinamentos de Jesus sobre a prática da oração, com destaque para a entrega do modelo da oração conhecida como o Pai Nosso. Este trecho reflete a preocupação de Jesus em orientar seus discípulos sobre a autenticidade e a interioridade das práticas religiosas, contrastando com atitudes hipócritas ou exibicionistas. Vamos explorar o contexto histórico e literário, os temas teológicos centrais, a relevância dentro do evangelho de Mateus e as conexões com o Antigo Testamento.
No contexto histórico, o Sermão da Montanha é dirigido principalmente aos discípulos de Jesus, mas também a uma multidão que o seguia (cf. Mt 5:1-2). Estamos no início do ministério de Jesus na Galileia, em um período de grande expectativa messiânica entre os judeus do século I, sob a dominação romana.
Contexto histórico
No século I d.C., a região da Galileia e da Judeia, onde se desenrola o ministério de Jesus, estava sob o domínio do Império Romano, uma potência que controlava vastas áreas do mundo mediterrâneo. Politicamente, a Judeia era uma província romana governada por Pôncio Pilatos (26-36 d.C.) como procurador, representando a autoridade imperial. No entanto, o poder local também era exercido por líderes judaicos, como o Sumo Sacerdote do Templo de Jerusalém, que detinha influência religiosa e, em certa medida, política, sob a supervisão romana. Além disso, a figura de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, era um governante local nomeado por Roma, conhecido por sua relação tensa com os movimentos religiosos e por sua crueldade, como no caso da execução de João Batista. Essa dominação estrangeira gerava ressentimento entre muitos judeus, que ansiavam por libertação política e espiritual, frequentemente associada à vinda do Messias.
Culturalmente, a sociedade judaica do período do Segundo Templo era profundamente marcada por tradições e costumes que moldavam a vida diária. A oração era um pilar central da piedade judaica, praticada tanto individualmente quanto em comunidade, frequentemente em horários fixos do dia (manhã, tarde e noite), conforme os ritmos do Templo. Muitos judeus oravam em direção a Jerusalém, e os homens, em particular, usavam filactérios (pequenas caixas com trechos da Torá) e o talit (xale de oração) durante esses momentos.
Personagens
- Jesus — mestre, ensina sobre oração
- hipócritas — exemplo negativo, oram para serem vistos
- gentios — exemplo negativo, usam muitas palavras na oração
- Pai — Deus, destinatário da oração
Para a vida de hoje
Quando lemos Mateus 6:5-15, encontramos Jesus ensinando sobre a oração de uma forma que toca diretamente o coração da nossa relação com Deus. Ele nos alerta para não orarmos como os hipócritas, que buscam a aprovação dos outros, mas sim para buscarmos um momento íntimo com o Pai, no secreto do nosso coração. Além disso, Ele nos presenteia com o "Pai Nosso", um modelo de oração que nos ensina a priorizar a vontade de Deus, a depender d’Ele para nossas necessidades e a viver em perdão e comunhão.
No dia a dia, muitas vezes vivemos correndo, conectados a tantas distrações – redes sociais, trabalho, compromissos – que acabamos esquecendo de reservar um tempo para essa conexão verdadeira com Deus. Jesus nos convida a encontrar um espaço de silêncio, seja no nosso quarto, no caminho para o trabalho ou até em um momento de pausa no meio da rotina, para falar com o Pai de forma sincera.
Vocabulário
- orar προσεύχομαι proseuchomai
- Dirigir-se a Deus em oração ou súplica; expressa um ato de comunicação pessoal e reverente com o divino, frequentemente com um senso de dependência e petição.
- hipócritas ὑποκριταί hypokritai
- Atores ou fingidores; no contexto, refere-se a pessoas que realizam atos religiosos para serem vistos pelos outros, com motivações de aparência e não de sinceridade.
- Pai Πατήρ Patēr
- Pai; usado para Deus, denota uma relação íntima e de autoridade, enfatizando confiança, proteção e dependência filial no contexto da oração.
Passagens relacionadas
Nos outros Evangelhos
| Passagem | Relação |
|---|---|
| Lucas 11,1-4 — O Pai Nosso | Lucas apresenta uma versão mais curta do Pai Nosso e contextualiza com os discípulos pedindo para aprender a orar |
Outras referências
| Passagem | Relação |
|---|---|
| Lc 11,1-4 — O Pai Nosso | Relato paralelo do Pai Nosso |
| Mt 5,44 — Ensino sobre a raiva adultério divórcio juramentos retaliação e inimigos | Ensino sobre amar e orar pelos inimigos |
| Mc 11,25 — A lição da figueira | Importância do perdão ao orar |
| Tg 4,3 — Submissão a Deus | Motivações erradas na oração |
| Ec 5,2 | Advertência contra a oração com muitas palavras |
| 1Rs 8,22-53 | Exemplo de oração pública e sincera |
| Is 1,15 | Condenação da oração hipócrita |
| Sl 66,18 | Relação entre pecado e oração não atendida |
Perguntas para refletir
- O que Jesus ensina sobre a motivação por trás da oração e do jejum nesta passagem, e como isso desafia as práticas comuns que você observa ou vivencia?
- Como o modelo da Oração do Pai Nosso (versículos 9-13) pode moldar a forma como você estrutura suas próprias orações no dia a dia?
- Por que você acha que Jesus enfatiza a importância do perdão (versículos 14-15) logo após ensinar sobre a oração, e como isso se relaciona com sua vida espiritual?
- De que maneira você pode aplicar o princípio de buscar a Deus em secreto, como descrito nos versículos 5-6, em meio às distrações e pressões do mundo atual?
Mais em Mateus 6
Jornadas que passam por aqui
- O Sermão da Montanha O Pai Nosso e a oração sincera — o modelo que Jesus ensinou.
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Perguntas frequentes
Onde está Oração e jejum na Bíblia?
A passagem está em Mateus 6,5-15, no livro Evangelho segundo Mateus, capítulo 6 do Novo Testamento.
Qual é a mensagem de Oração e jejum?
Quando lemos Mateus 6:5-15, encontramos Jesus ensinando sobre a oração de uma forma que toca diretamente o coração da nossa relação com Deus. Ele nos alerta para não orarmos como os hipócritas, que buscam a aprovação dos outros, mas sim para buscarmos um momento íntimo com o Pai, no secreto do nosso coração.
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