Jejum

Mateus 6,16-18 Tom: solenidade e instrução Dificuldade 2 de 5 Galileia

Jesus ensina que, ao jejuar, não se deve mostrar tristeza ou buscar a aprovação dos outros, mas fazê-lo em segredo, com o coração voltado para Deus, que vê o que está oculto e recompensará. Essa prática deve ser um ato de devoção sincera, não de exibição.

Jejum
Ilustração: Pericopae

O que acontece

Jesus ensina que, ao jejuar, não se deve mostrar tristeza ou buscar a aprovação dos outros, mas fazê-lo em segredo, com o coração voltado para Deus, que vê o que está oculto e recompensará. Essa prática deve ser um ato de devoção sincera, não de exibição.

A perícope de Mateus 6:16-18, que trata do tema do jejum, está inserida no contexto mais amplo do Sermão da Montanha (capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus), um dos discursos mais importantes de Jesus, no qual Ele apresenta os princípios do Reino de Deus. Este trecho específico faz parte de uma seção que aborda práticas de piedade pessoal, incluindo a esmola (6:1-4), a oração (6:5-15) e, por fim, o jejum. O objetivo de Jesus aqui é ensinar aos discípulos a verdadeira essência da devoção espiritual, contrastando-a com atitudes hipócritas que buscam a aprovação humana em vez da comunhão com Deus.

No contexto histórico, o jejum era uma prática comum no judaísmo do século I, frequentemente associado à penitência, à busca de orientação divina ou à preparação para eventos espirituais significativos.

Contexto histórico

No século I d.C., o cenário do Novo Testamento, particularmente na região da Galileia e da Judeia, era profundamente moldado pelo domínio do Império Romano. Sob a administração de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, e de Pôncio Pilatos, governador da Judeia (26-36 d.C.), os judeus viviam sob uma tensão constante entre a submissão ao poder romano e a preservação de sua identidade religiosa e cultural. Impostos pesados, como o tributo a César, geravam descontentamento, e movimentos de resistência, como os zelotes, emergiam em resposta à opressão. Essa situação política criava um pano de fundo de instabilidade, no qual as palavras de Jesus sobre práticas espirituais, como o jejum, ganhavam um significado ainda mais profundo, ao desafiar tanto as autoridades religiosas quanto as expectativas sociais.

Culturalmente, o jejum era uma prática enraizada na tradição judaica, associada à penitência, à purificação e à busca de proximidade com Deus. Durante o período do Segundo Templo, o jejum era observado em ocasiões específicas, como no Dia da Expiação (Yom Kippur), descrito em Levítico 16, quando todo o povo se abstinha de comida e bebida como ato de arrependimento. Além disso, jejuns voluntários eram comuns entre indivíduos ou comunidades em momentos de luto, crise ou súplica divina.

Personagens

Para a vida de hoje

Meus queridos, hoje quero refletir com vocês sobre um ensinamento precioso de Jesus encontrado em Mateus 6:16-18, onde Ele nos fala sobre o jejum. Jesus nos alerta para não fazermos do jejum um espetáculo, buscando a aprovação dos outros, mas sim algo íntimo, feito com o coração voltado para Deus. Ele nos ensina que, ao jejuarmos, devemos manter nossa aparência normal, sem demonstrar sofrimento ou buscar reconhecimento, pois nosso Pai, que vê em secreto, nos recompensará.

No dia a dia, vivemos em um mundo onde muitas vezes somos tentados a mostrar nossas boas ações, seja nas redes sociais ou em conversas, para receber elogios ou validação. Mas Jesus nos convida a uma espiritualidade mais profunda e autêntica. O jejum, seja de comida, de distrações ou até de hábitos que nos afastam de Deus, não precisa ser anunciado. Ele é um momento de conexão pessoal com o Senhor, um espaço para ouvir Sua voz e renovar nossas forças.

Vocabulário

jejum νηστεύω nēsteuō
Abster-se de comida ou bebida por razões espirituais ou religiosas; no contexto, refere-se à prática de jejum como ato de devoção ou penitência, com ênfase na intenção interior e não na aparência externa.
hipócritas ὑποκριταί hypokritai
Atores, fingidores; no contexto do Novo Testamento, refere-se a pessoas que fingem piedade ou virtude para ganhar aprovação humana, em vez de buscar sinceridade diante de Deus.
recompensa μισθός misthos
Salário, pagamento ou recompensa; no contexto espiritual, indica a retribuição divina por atos de fé e obediência realizados com sinceridade, contrastando com a recompensa humana buscada pelos hipócritas.

Passagens relacionadas

Nos outros Evangelhos

PassagemRelação
Marcos 2,18-20 — O jejumMarcos menciona o jejum no contexto de uma pergunta sobre os discípulos não jejuarem, com uma resposta de Jesus sobre o noivo
Lucas 5,33-35 — O vinho novo em odres novosLucas também aborda o jejum no contexto de uma pergunta sobre os discípulos, com ênfase semelhante à de Marcos

Outras referências

PassagemRelação
Mt 9,14-15 — Questão do jejumEnsino de Jesus sobre o jejum
Lc 18,9-14 — O fariseu e o publicanoParábola sobre humildade na oração e jejum
At 13,2-3 — Barnabé e Saulo São EnviadosExemplo de jejum e oração na igreja primitiva
Mt 6,1-4 — Dar aos necessitadosContexto similar sobre atos de piedade em secreto
Mt 6,5-15 — Oração e jejumContexto similar sobre oração em secreto
Is 58,3-7Ensino sobre o verdadeiro jejum
Jl 2,12-13Chamada ao jejum com coração contrito
Zc 7,4-5Questionamento sobre a sinceridade no jejum

Perguntas para refletir

  1. O que Jesus ensina sobre a motivação por trás do jejum nesta passagem, e como isso reflete a relação entre a fé e as ações externas?
  2. Por que você acha que Jesus enfatiza a discrição no jejum, e o que isso revela sobre a verdadeira espiritualidade?
  3. Como você pode aplicar o princípio de buscar a aprovação de Deus, e não dos homens, em suas práticas espirituais ou em outras áreas da sua vida?
  4. De que maneira o jejum, ou outras disciplinas espirituais, pode ajudar a aprofundar sua conexão com Deus no dia a dia?

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Perguntas frequentes

Onde está Jejum na Bíblia?

A passagem está em Mateus 6,16-18, no livro Evangelho segundo Mateus, capítulo 6 do Novo Testamento.

Qual é a mensagem de Jejum?

Meus queridos, hoje quero refletir com vocês sobre um ensinamento precioso de Jesus encontrado em Mateus 6:16-18, onde Ele nos fala sobre o jejum. Jesus nos alerta para não fazermos do jejum um espetáculo, buscando a aprovação dos outros, mas sim algo íntimo, feito com o coração voltado para Deus.

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