Morte
Do meio-dia às três horas da tarde, uma escuridão cobriu a terra, e Jesus, crucificado, exclamou a Deus antes de entregar seu espírito, morrendo. Nesse momento, o véu do templo se rasgou, a terra tremeu, e muitos reconheceram que Ele era verdadeiramente o Filho de Deus.
O que acontece
Do meio-dia às três horas da tarde, uma escuridão cobriu a terra, e Jesus, crucificado, exclamou a Deus antes de entregar seu espírito, morrendo. Nesse momento, o véu do templo se rasgou, a terra tremeu, e muitos reconheceram que Ele era verdadeiramente o Filho de Deus.
A perícope de Mateus 27:45-56, que narra os momentos finais da crucificação e a morte de Jesus, é um dos trechos mais densos e teologicamente significativos do Evangelho de Mateus. Este relato não apenas culmina a narrativa da Paixão, mas também revela profundas implicações sobre a identidade de Jesus como o Messias sofredor e o impacto cósmico de sua morte redentora. Vamos explorar o contexto histórico e literário, os temas teológicos centrais, a relevância dentro do evangelho e as conexões com o Antigo Testamento.
No contexto histórico, a crucificação de Jesus ocorre sob o domínio romano na Judeia, por volta do ano 30 d.C., durante o governo de Pôncio Pilatos. A crucificação era uma forma de execução reservada para criminosos e rebeldes, destinada a infligir máxima humilhação e dor.
Contexto histórico
No contexto do Evangelho de Mateus, capítulo 27, versículos 45 a 56, que narram a morte de Jesus de Nazaré, estamos situados na Judeia do século I d.C., sob o domínio do Império Romano. Este é um período de grande tensão política, social e religiosa, que molda profundamente os eventos descritos. Vamos explorar os aspectos históricos e culturais relevantes para compreender essa passagem.
Politicamente, a Judeia era uma província romana, governada na época por Pôncio Pilatos, o procurador romano entre 26 e 36 d.C. Pilatos representava a autoridade imperial e tinha o poder de decidir sobre questões de vida e morte, como no caso da crucificação de Jesus. Embora os romanos permitissem certo grau de autonomia aos líderes locais, como o Sinédrio (o conselho judaico de líderes religiosos e políticos), a última palavra em casos de pena capital era reservada ao governador romano. A crucificação, método de execução descrito na passagem, era uma prática romana reservada para criminosos graves, rebeldes e escravos, sendo um símbolo de humilhação pública e controle imperial. A acusação contra Jesus de ser "Rei dos Judeus" era vista como uma ameaça política ao poder romano, justificando sua condenação.
Culturalmente, os judeus da época viviam sob a influência de várias tradições e costumes.
Personagens
- Jesus — protagonista, crucificado, morre na cruz
- Deus — referenciado por Jesus como 'Meu Deus'
- Elias — mencionado por espectadores como possível salvador de Jesus
- centurião — soldado romano, reconhece Jesus como Filho de Deus
- Maria Madalena — seguidora de Jesus, presente na crucificação
- Maria, mãe de Tiago e José — seguidora de Jesus, presente na crucificação
- mãe dos filhos de Zebedeu — seguidora de Jesus, presente na crucificação
Para a vida de hoje
Queridos amigos, ao refletirmos sobre Mateus 27:45-56, somos levados ao momento mais sombrio e, ao mesmo tempo, mais transformador da história: a morte de Jesus na cruz. Este texto nos fala de trevas que cobriram a terra, do grito de Jesus ao sentir o peso da separação de Deus, e do véu do templo que se rasgou, simbolizando um novo acesso à presença divina. Mas como isso se conecta com nossa vida hoje, em meio às pressões do trabalho, às incertezas do futuro e aos desafios pessoais?
Primeiro, esse relato nos lembra que até mesmo nos momentos mais escuros, Deus está presente. Assim como as trevas cobriram a terra na crucificação, às vezes enfrentamos períodos de dor, solidão ou desespero em nossa vida moderna – seja por uma perda, um diagnóstico difícil ou um relacionamento quebrado. Nessas horas, podemos nos sentir abandonados, como Jesus expressou ao clamar: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Vocabulário
- escuridão σκότος skotos
- Escuridão física ou metafórica; no contexto, refere-se a um fenômeno sobrenatural que cobre a terra durante a crucificação, simbolizando julgamento divino ou a gravidade do momento.
- abandonado ἐγκατέλιπες enkatelipes
- Deixar para trás, abandonar; usado por Jesus na cruz ao citar o Salmo 22:1, expressando um senso de separação ou isolamento espiritual, possivelmente relacionado ao peso do pecado que Ele carrega.
- entregou o espírito ἀφῆκεν τὸ πνεῦμα aphēken to pneuma
- Literalmente 'deixou ir o espírito'; uma expressão idiomática para morte, indicando que Jesus voluntariamente entregou Sua vida, enfatizando controle soberano sobre o momento de Sua morte.
Passagens relacionadas
Nos outros Evangelhos
| Passagem | Relação |
|---|---|
| Marcos 15,33-41 — A morte de Jesus | Marcos apresenta a morte de Jesus com detalhes semelhantes, mas com menos ênfase nas reações das mulheres |
| Lucas 23,44-49 — A morte de Jesus | Lucas destaca o arrependimento do centurião e a reação da multidão |
| João 19,28-37 — A morte de Jesus | João foca em detalhes únicos, como a lança no lado de Jesus e o cumprimento das Escrituras |
Outras referências
| Passagem | Relação |
|---|---|
| Mc 15,33-41 — A morte de Jesus | Relato paralelo da morte de Jesus |
| Lc 23,44-49 — A morte de Jesus | Relato paralelo da morte de Jesus |
| Jo 19,28-37 — A morte de Jesus | Relato paralelo da morte de Jesus |
| Hb 10,19-20 — Exortação a perseverar | Interpretação teológica do véu rasgado |
| Sl 22,1 | Citação direta do clamor de Jesus na cruz |
| Is 53,4-6 | Profecia do servo sofredor |
| Am 8,9 | Profecia sobre trevas ao meio-dia |
| Zc 12,10 | Profecia sobre o traspassado e o lamento |
Perguntas para refletir
- O que a escuridão sobre a terra e o rasgar do véu do templo (Mateus 27:45, 51) revelam sobre o significado espiritual da morte de Jesus?
- Como a reação dos que presenciaram os eventos durante a crucificação (Mateus 27:54) nos desafia a reconhecer a identidade de Jesus em nossa própria vida?
- De que maneira a morte de Jesus, como descrita nesta passagem, impacta sua compreensão do sacrifício e da redenção?
- Quais atitudes ou mudanças você sente que precisa fazer em sua vida diária ao refletir sobre o preço pago por Jesus na cruz?
Mais em Mateus 27
- Judas se enforca
- Jesus diante de Pilatos
- Soldados zombam
- Crucificado
- Sepultado
- A guarda do túmulo
Jornadas que passam por aqui
- A Paixão de Cristo "Pai, por que me abandonaste?" — Jesus morre na cruz.
- A Ressurreição nos 4 Evangelhos Mateus: trevas cobrem a terra — Jesus entrega o espírito.
Perguntas frequentes
Onde está Morte na Bíblia?
A passagem está em Mateus 27,45-56, no livro Evangelho segundo Mateus, capítulo 27 do Novo Testamento.
Qual é a mensagem de Morte?
Queridos amigos, ao refletirmos sobre Mateus 27:45-56, somos levados ao momento mais sombrio e, ao mesmo tempo, mais transformador da história: a morte de Jesus na cruz. Este texto nos fala de trevas que cobriram a terra, do grito de Jesus ao sentir o peso da separação de Deus, e do véu do templo que se rasgou, simbolizando um novo acesso à presença divina.